Com apoio da Zetra, ídolo rubro-negro ganha biografia inédita

Fizemos uma entrevista especial com o jornalista Renato Zanata, autor do livro: “Carlinhos Violino, um maestro no meio-campo Rubro-Negro.”

Zanata nos contou como foi o processos de criação do livro, suas inspirações e como nasceu essa paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo. Tudo isso você confere na íntegra e agora.

Como nasceu a ideia de fazer escrever esse livro?

Renato Zanata: Assim como os dois primeiros livros que escrevi, sobre a seleção de 82 e a biografia do Adílio, este projeto de 2017, a biografia do eterno Carlinhos Violino, nasceu da vontade de fazer justiça com alguns personagens que foram protagonistas em ambas as obras.

No caso específico de “Carlinhos Violino – Um Maestro no Meio-Campo Rubro-Negro”, com agradecimento perene à Zetra pelo patrocínio, o que permitiu a sua publicação, procurei juntamente com meu parceiro, o Bruno Lucena, fazer com os torcedores mais jovens do C.R Flamengo, passassem, a saber, que o Carlinhos, além de ter sido, em minha opinião, o melhor técnico da história do rubro-negro carioca, foi também, um excelente jogador, com talento de sobra para reivindicar, com toda justiça, mais seleção brasileira na sua vida. E, estou me referindo às safras maravilhosas de jogadores que o futebol brasileiro desfrutou entre 1958 e 1970.

Por que o Carlinhos?

Renato Zanata: Essa pergunta me exige praticamente uma resposta atrelada ao primeiro motivo que me levou a querer escrever esta biografia, e convidar o Lucena, para desenvolver o projeto. O Bruno Lucena que é chamado pelos torcedores do Flamengo de “Doctor Mengão”, tamanho é o conhecimento que ele possui sobre o “Mais Querido do Brasil”.

Tratou-se também, de procurar fazer justiça ou colocar em xeque o popular  discurso que o jornalismo esportivo ajudou a propagar como verdade absoluta: “O ex-jogador que foi craque não dá um bom técnico”. Pois o Carlinhos Violino treinador, bi-campeão brasileiro dirigindo dois Flamengos distintos, e o responsável pelo último caneco internacional do clube gaveano (Mercosul de 1999), mostrou justamente o contrário. Foi craque, dentro e na beira do campo.

O livro trata do período dele como jogador, destacando, através de várias de suas entrevistas, que a visão de treinador já o acompanhava desde o dia em que herdou, com muita qualidade, a “camisa 5” de outro cracaço, o Dequinha.

O que o Flamengo representa para você? Você acha que conseguiu transmitir um pouco a paixão da torcida rubro-negra no livro?

Renato Zanata: Nasci flamenguista. Sou de 1966, portanto, pude acompanhar bem, e de perto, no Maracanã e no Caio Martins, inúmeros jogos e conquistas daquela baita geração gloriosa do Flamengo, entre 1978 e 1983, principalmente.

Um contexto que me fez crescer como um flamenguista com pouca paciência para jogadores que nunca mereceram “entrar na Gávea”, quanto mais, vestir as camisas que foram formidavelmente honradas por nomes como Zico, Adílio, Junior, Leandro, Claudio Adão, Andrade, Djalminha, por exemplo.

Então, sim, acho que conseguimos transmitir que para jogar no Flamengo, além da necessidade de se ter amor a camisa, se doar em campo, o atleta tem que apresentar qualidades técnicas diferenciadas, que permitam ao time se impor (ditar o jogo) diante de qualquer adversário, independentemente se sairá de campo vitorioso ou derrotado. E a geração do Carlinhos Violino representou muito bem este Flamengo que a torcida sempre idealiza, cobra  da diretoria. Neste caso, respaldando outra máxima: “Craque, o Flamengo faz em casa”.

O que fez você se tornar Flamengo?

Meu pai foi o principal incentivador. Como disse, nasci flamenguista. E, embora estivesse cercado de familiares vascaínos e tricolores, a magnífica geração que o clube produziu em sua fábrica, facilitou a vida de meu pai. E, veja, estamos falando de uma época em que os outros grandes times do Rio e do Brasil também eram recheados de ótimos jogadores. Tanto que, o primeiro nome que me veio quando projetei escrever a primeira biografia foi o do meia Mendonça, cracaço de bola, que atuou no Botafogo entre 70 e 80.

Qual foi a maior dificuldade para você  no processo das inserções das informações no livro? teve que deixar alguma boa história de fora?

Renato Zanata: Graças à internet – hoje temos acesso aos principais periódicos e revistas através da hemeroteca digital – pudemos coletar várias informações maravilhosas sobre a maioria dos 158 jogos que o Carlinhos fez pelo Flamengo. E o primordial auxílio que recebemos de suas filhas, Carla e Luiza, e de sua ex-mulher, Débora Assis, enriqueceu enormemente nosso projeto.

Entretanto, sobre as dificuldades – emocional e testemunhal – como o Carlinhos foi e seguirá sendo um dos principais ídolos que guardo da vida, foi ainda mais dolorido o seu falecimento durante o processo de construção do livro, o que além de não ter nos permitido tê-lo como “A Fonte” , não permitiu que ele pudesse desfrutar dessa alegria com todos nós que estivemos envolvido na construção da obra.

Ele chegou a ter em mãos um rascunho impresso do livro e abriu um belo sorriso ao saber do que se tratava, mas queríamos o maestro conosco por muito mais tempo ainda. Emociono-me muito ao falar disso e sei que no dia 25 de setembro não será diferente.

Como foi para você ter um texto especial do Zico no livro?

Renato Zanata: Falar da generosidade gigante do Galinho Zico também me emociona demais. É outro cracaço, dentro e fora das quatro linhas. Sempre atencioso com todos, prontamente se colocou à disposição do Bruno Lucena para falar sobre o carinho e a admiração dele pelo craque e professor, Carlinhos Violino. Sem falar na pronta autorização para que seu depoimento fosse publicado como prefácio da obra. Um ídolo que eu já trazia comigo da infância, que se tornou ainda mais “Zico” e tudo de positivo e bom que este nome representa, não só para o Flamengo, mas também, para o futebol mundial.

Quais os outros livros que você já escreveu?

Renato Zanata: Em 2012, em parceria com o jornalista Gustavo do Amaral Roman, publicamos o “Sarriá 82 – o que faltou ao futebol-arte?” (editora Maquinaria e patrocínio MPE), analisando e concluindo que não apenas o “azar” ou “coisas inexplicáveis do futebol”, foram os motivos que não permitiram que a seleção do Telê Santana conquistasse o mundial na Espanha.

Em 2013, no primeiro semestre, escrevi a biografia “Adílio – Camisa 8 da Nação” (editora iVentura), outro craque de bola, que também busquei mostrar que merecia, por exemplo, ter vestido mais vezes a camiseta da seleção canarinho. No segundo semestre, em parceria com o atleticano Lindson Brum, publicamos o livro “América, Terreirão do Galo – análise tática do campeão da Copa Libertadores 2013” (Multifoco editora – custo bancado pelos autores).

Como foi para você receber o apoio da Zetra?

Renato Zanata: O fato é: Se não fosse o apoio da Zetra, não estaríamos tendo esta conversa. Um grande craque do futebol brasileiro não estaria sendo merecidamente homenageado. Ou seja, sem o patrocínio da Zetra, a biografia do Carlinhos Violino não seria publicada. Seremos eternamente gratos à Zetra, e ao Flávio Náufel.

Você toca guitarra, certo? O que é mais difícil retratar uma história por meio de música ou das palavras?

Renato Zanata: Sim, também trabalho como músico desde os meus 18 anos. No meu caso, são duas formas distintas de criação. Nas minhas composições, emprego mais a subjetividade e a ficção, a partir de temas como política, caos urbano e amor. Acho mais “fácil”, pois tenho a “permissão” de brincar com as palavras, apoiado na tal “licença poética”. Não estou dizendo que compor uma música é “menos Arte” que escrever um livro. Apenas esclareço que, no meu caso específico, criar música é mais natural, é mais inspiração do que transpiração.

Nos temas abordados nestes quatro livros, a busca foi por retratar, o máximo possível (contar com a verdade de quem viveu épocas que não vivemos), os fatos da forma como eles realmente aconteceram (pesquisar várias fontes sobre um mesmo tema). E, evitar concluir uma obra que dê brechas para o rótulo de “biografia que só exalta o homenageado”. Acredito que, com auxílio de parceiros em três dos quatro livros, este objetivo foi alcançado.

Tem alguma mensagem que você queria deixar para os leitores?

Renato Zanata: Sempre procuro frisar que o motivo principal da minha grande dedicação aos livros que assino é a paixão pelos temas, pelas histórias construídas pelos homenageados. Daí, sempre espero que os leitores percebam esta paixão, que ao término de cada projeto, eu tenha dado minha contribuição para que esta paixão seja compartilhada com os leitores. E, faço uso das redes sociais para obter este feedback, com intuito de aproveitar, positivamente, os elogios e as críticas, nos projetos futuros.

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