Folha de Londrina traz entrevista especial com vice-presidente da Zetra

Startups de tecnologia financeira se firmam como alternativas mais baratas para quem precisa de dinheiro.

Em expansão no Brasil, as fintechs — startups de tecnologia financeira -, destinadas ao segmento de empréstimos consignados e peer-to-peer, onde investidores aportam capital para o empréstimo, vêm se firmando como uma alternativa mais barata para quem precisa de dinheiro. O custo de intermediação financeira das fintechs é mais baixo, o que permite que elas atuem com taxas de juros mais atraentes do que as instituições financeiras tradicionais.

O especialista em finanças Marcos Antônio de Andrade, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que buscar capital de giro, financiamento ou empréstimo pessoal nas startups é uma opção interessante, seja pelas taxas reduzidas ou pelos benefícios agregados, como a orientação de como administrar esse recurso.
As fintechs apresentam vantagens como a análise de crédito digital, operação menos burocrática, agilidade na liberação do crédito e taxas de juros que podem ser até 70% menores do que em bancos tradicionais.
Para o professor, elas vieram para ficar e devem fazer concorrência pesada aos bancos e financeiras. “Faço uma analogia com o que ocorreu com os taxistas e os ubers. Elas vão fazer concorrência às instituições financeiras e fomentarão a inclusão ao crédito e incentivo ao consumo”, disse Andrade.
O presidente e cofundador da ABFintech (Associação Brasileira das Fintechs), Rodrigo Soeiro Ubaldo, afirmou que as empresas estão simplificando a forma de vender o setor financeiro, aliando tecnologia à forma de investir e solicitar crédito. A associação criada em 2016 conta com 356 associados.
Um mapeamento superficial do setor mostrou que em 2015 havia 144 startups que se identificavam como fintechs; no ano seguinte o número saltou para 244. “Há muita empresa que não se identificava como fintech e agora está atuando como uma. É uma tendência e elas querem surfar a onda”, disse Ubaldo. A perspectiva da associação é que o mercado encerre 2018 com 500 empresas.
O setor é dividido em dez modalidades, chamadas de verticais. As verticais de meio de pagamentos respondem por 35% das startups. Os 65% restantes representam as demais modalidades que têm variações similares, inclusive as de crowdfunding, onde se encaixam as plataformas de empréstimos.
Para ganhar mercado, Ubaldo disse que as fintches precisam se posicionar de forma competitiva, com taxas de juros atraentes e avaliações de score do consumidor.
O professor da Mackenzie têm duas preocupações em relação às plataformas de tecnologia financeira, principalmente no peer-to-peer. A primeira é com a origem do recurso e a segunda com a falta de maturidade do brasileiro com a educação financeira. “É preciso ficar atento de onde está vindo este lastro. Quem são os investidores? E se a empresa respeita as regras do Banco Central e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, orientou.

DE PONTA A PONTA

Criada em setembro de 2016 pelos brasileiros Murilo Bássora e Daniel Gomes, e o paraguaio Nicolas Arellaga, a Nexoos desenvolveu uma plataforma para unir pequenas e médias empresas que precisam de empréstimos com investidores. Neste período, já financiou R$ 36 milhões. “O foco da Nexoos são pequenas e médias empresas em funcionamento no mínimo há um ano e com faturamento anual de até R$ 250 mil. A plataforma funciona 100% on-line, desde o processo de solicitação até a assinatura do contrato”, contou Bássora.
As taxas de juros figuram de 1,6% a 3,6% ao mês. “A taxa fica entre 50% a 70% mais baixas do que se conseguiria no banco”, disse Bássora. Do lado do investidor, a taxa de retorno gira em torno de 22,5% ao ano. Um percentual bem atraente. Fundos de investimentos como Tesouro Direto e poupança estão na casa dos 5% a 6,5% ao ano.
Mas o cofundador da empresa alerta que é um investimento de risco e orienta os investidores a diversificarem a carteira. “A plataforma o ajuda a diversificar ao máximo. Tem investidor que tem mais de dez investimos”, afirmou.
O valor mínimo para aplicação na plataforma é de R$ 6 mil, mas o investidor precisa aportar R$ 2 mil por empresa. “A ideia é que ele não invista mais de 10% do patrimônio”, aconselhou Bássora.
O cofundador afirmou que o desempenho da plataforma tem sido positivo. “Tínhamos dúvidas se o brasileiro ia entender esse modelo. Mas foi bem aceito pelas pequenas empresas, principalmente depois que os bancos ficaram mais restritivos”, disse Bássora.

Selic mais baixa pode impulsionar crédito on-line

A Zetra, fintech de gestão eletrônica de crédito, apresentou um crescimento de 18% no faturamento do ano passado. A empresa desenvolveu o portal eConsig que faz a integração dos RHs (Recursos Humanos) de empresas privadas e instituições públicas, os empregados e os bancos. É uma espécie de buscador de ofertas de crédito consignado para desconto em folha de pagamento.
O vice-presidente da Zetra, Flávio Náufel do Amaral, elenca como vantagens da plataforma a facilidade de acesso a instituições financeiras, mesmo em locais onde não há agências bancárias, pois todo o processo é on-line; segurança, uma vez que foram desenvolvidas tecnologias que evitam fraudes; e taxas atrativas.
“Com o lançamento da plataforma, quebramos paradigmas. Investimos fortemente em protocolos e certificações que garantem segurança”, comentou Amaral. Segundo ele, com o ranking das melhores condições de mercado o custo da captação do recurso pode ser até 50% menor.
Para 2018, as perspectivas da fintech são positivas. Amaral acredita que com a redução de 0,25 ponto percentual da taxa Selic, definida na semana passada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), as pessoas que possuem dívidas maiores devem repactuar as operações com taxas menores. “Enxergamos com convicção que a queda da Selic é uma oportunidade para o público trocar as operações. A troca de taxas de 3% ou 4% ao mês por uma de 1,5% a.m vai impulsionar novos créditos”, afirmou.
Amaral comentou que a plataforma tem agregado atributos como um programa de crédito responsável, que busca qualificar a educação financeira do consumidor, para que haja um crescimento sustentável do crédito.

Fonte: http://bit.ly/2EA6aE6

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